quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Artefato de Antikythera

Antigo Computador Astronômico

Do tamanho de uma caixa de sapatos, um misterioso dispositivo de bronze retirado dos destroços de um navio da era romana no início do século XX intrigou cientistas por séculos. Agora um cientista britânico surpreendentemente o apontou como o mais antigo computador astronômico existente no mundo.

Uma equipe de cientistas gregos e britânicos que investigava o Mecanismo Antikythera conseguiu decifrar antigas inscrições em grego que passaram despercebidas por dois mil anos, disseram membros do projeto que conta com financiamento privado.

"Parte do texto encontrado ma máquina, com cerca de mil caracteres, já tinha sido decifrada, mas nós conseguimos dobrar este total", disse o médico Yiannis Bitsakis, parte de uma equipe multidisciplinar de cientistas das universidades de Atenas, Tessalônica e Cardiff, do Museu Nacional Arqueológico de Atenas e da companhia de informática Hewlett-Packard.

"Agora deciframos 95% do texto", acrescentou em declarações à AFP. Retirado dos destroços de um navio da era romana, encontrado em 1900 por pescadores de esponjas perto da ilha grega de Antikythera (sul) e mantido no Museu Arqueológico Nacional de Atenas, o Mecanismo contém cerca de 30 rodas e discos e é coberto de inscrições astronômicas. Provavelmente operado por uma manivela, restam dele três pedaços grandes e alguns fragmentos menores.

"(O dispositivo) poderia calcular a posição de certas estrelas, pelo menos do Sol e da Lua e talvez seja capaz de prever fenômenos astronômicos", disse o astrofísico Xenophon Moussas, da Universidade de Atenas. "Provavelmente é raro, senão único", continuou. A raridade do Mecanismo Antikythera impediu sua remoção do museu, portanto um scanner de oito toneladas teve que ser montado no local para o projeto, que usou uma tomografia tridimensional para expor inscrições invisíveis.

A primeira avaliação do propósito do Mecanismo foi promovida nos anos 1960 pelo historiador de ciências britânico Derek Price, mas a última descoberta dos cientistas levanta mais questões. "É um quebra-cabeças relativo ao conhecimento astronômico e matemático na Antigüidade", disse Moussas. "O Mecanismo realmente poderia reescrever certos capítulos nesta área", acrescentou.

"O desafio é inserir este dispositivo em um contexto científico, pois quase sai do zero e sugere a teoria estabelecida que considera que faltava aos gregos antigos conhecimento técnico aplicado", acrescentou Bitsakis, também da Universidade de Atenas.

Os cientistas também procuram restos maiores do navio romano, cujo naufrágio teria ocorrido cerca de 80 a.C., em busca de pistas sobre a origem do Mecanismo. Uma teoria em estudo é a de que o dispositivo foi criado em uma academia fundada pelo filósofo estóico antigo Poseidonios, na ilha grega de Rhodes. Os escritos do orador e filósofo Cícero, do século I d.C. - ele mesmo um ex-aluno de Poseidonios - falam de um dispositivo com semelhanças ao Mecanismo.

"Assim como Alexandria, Rhodes foi um grande centro de astronomia da época", disse Moussas. "O barco onde o dispositivo foi descoberto poderia ter sido parte de um comboio para Roma, transportando tesouro roubado da ilha com o propósito de ser exibido em uma parada triunfal encenada por Júlio César", acrescentou.

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